Minha primeira crise metabólica

Conheça aqui como o excesso de trabalho e a má alimentação cobraram seu preço na minha saúde.

Quando o corpo dá sinais de alerta

No final dos anos 1990, vivi uma fase marcada por excesso de trabalho, múltiplas responsabilidades e pouca atenção à minha saúde. Na época, eu ainda não percebia, mas esse conjunto de fatores me conduzia lentamente a um colapso metabólico que mudaria minha relação com a alimentação, a rotina e meu autocuidado.

Não recordo com exatidão o ano (possivelmente entre 1997 e 1998), mas lembro bem do contexto: eu já tinha dois filhos pequenos, havia aberto minha primeira empresa há alguns anos, lecionava na Universidade de São Paulo e já atuava como voluntário em entidades empresariais do setor de tecnologia. Era uma agenda cheia, inflexível e praticamente sem pausas.

Rotina intensa e alimentação inadequada

Com tantos compromissos, a alimentação ficou em segundo plano. Em casa, não havia grande preocupação com hábitos alimentares saudáveis. Fora dela, a situação era ainda pior. Entre reuniões, eventos e deslocamentos, tornou-se comum recorrer a fast food, muitas vezes comendo dentro do carro para ganhar tempo.

Esse padrão alimentar, aliado ao estresse constante e à falta de descanso, começou a cobrar seu preço. Sem perceber, eu estava criando as condições ideais para um desequilíbrio metabólico.

O aumento de peso e os primeiros sintomas

Foi nesse período que atingi o maior peso da minha vida: cento e dezoito quilos. E pouco mais de um ano após finalmente conseguir me desligar da universidade, um compromisso rígido e pouco compatível com minha rotina, quando fiz um check-up completo de saúde, os resultados dos exames de sangue foram bem preocupantes: praticamente todos os indicadores estavam fora dos valores de referência, sinalizando que algo estava seriamente errado comigo.

Diagnóstico e reeducação alimentar

Diante dos resultados, minha médica clínica propôs um processo de reeducação alimentar imediato. O tratamento começou com uma dieta extremamente rigorosa, planejada para quatro meses. Em aproximadamente três meses e meio, consegui perder cerca de dezoito quilos.

Além da mudança alimentar, a médica (que seguia a abordagem da medicina ortomolecular) prescreveu suplementos e medicamentos, que me permitiram superar essa primeira crise.

Estabilização e aprendizados

Com o passar do tempo, recuperei parte do peso perdido, algo bastante comum após dietas muito restritivas. Ainda assim, meu peso se estabilizou em um patamar bem menor, o que já era um avanço importante em relação ao cenário anterior.

Mais do que números na balança, essa experiência deixou um aprendizado profundo: o corpo não ignora excessos indefinidamente. A crise metabólica não surgiu de forma repentina; ela foi construída dia após dia, entre escolhas rápidas, estresse contínuo e negligência com sinais claros de alerta.

Um alerta sobre saúde e estilo de vida

Essa crise me ensinou que a busca incessante por produtividade, quando não acompanhada de cuidado com a saúde, cobra um preço alto. Equilíbrio, alimentação consciente e respeito aos limites do corpo não são um luxo, mas são necessidades básicas para uma vida longa e funcional.


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